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Um lugar em minha vida... (poemas e pensamentos)(Se não fosse isso, era mesmo... Se não fosse tanto, era quase)
July 14 Se eu fosse um cartaz....Não apresse o rio.
Ele corre sozinho.
(Barry Stevens)
Se eu fosse um cartaz, o que diria ao mundo?
Deus realmente me ama.
E você, o que diria? June 27 Assalta-me
(Foto: "da série, Mulheres de Guerra", autoria: Amanda Com Assalta-me! Rouba-me o coração que pulsa em meu peito, desvairado. June 10 O alfabeto poéticoA primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso!
Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa... Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte. Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra você` e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo". Com D, se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o "então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo. E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo... F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas. A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo. Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada. O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira. J de "janela", por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim. L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco. M de "madrugada", quando vivem os sonhos... N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro. O de "óbvio", não precisa explicar... P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou. Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê. E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá. S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca. T é de "talvez", resposta melhor que ´não`, uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... de "tanto", um muito que até ficou tonto... de "testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava em outro lugar. U de "ui", um ái que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado. Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira. E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português. Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro. (Este texto acima, intitulado "Palavras ao vento", eu o copiei do blog de minha amiga Gilmara Pessoa, pessoinha gente fina, amante das letras e das coisas boas da vida como uma poesia ao pé do ouvido. Como ela não declarou autoria de outrem, deduzi que ela mesma o criou e o fez muito bem. Quisera eu ter escrito antes tal texto.) May 11 Tolice"Quanto mais nos elevamos,
menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar."
(Nietzsche) May 06 Sol Maior, o Rei dos Astros"Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, Deus meu, tu és magnificentíssimo!
Estás vestido de honra e de majestade,
Tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma cortina.
És tu que pões nas águas os vigamentos da tua morada, que fazes das nuvens o teu carro, que andas sobre as asas do vento;
que fazes dos ventos teus mensageiros, dum fogo abrasador os teus ministros. Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum. Tu a cobriste do abismo, como dum vestido; as águas estavam sobre as montanhas. À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão puseram-se em fuga. Elevaram-se as montanhas, desceram os vales, até o lugar que lhes determinaste. Limite lhes traçaste, que não haviam de ultrapassar, para que não tornassem a cobrir a terra. És tu que nos vales fazes rebentar nascentes, que correm entre as colinas. Dão de beber a todos os animais do campo; ali os asnos monteses matam a sua sede. Junto delas habitam as aves dos céus; dentre a ramagem fazem ouvir o seu canto. Da tua alta morada regas os montes; a terra se farta do fruto das tuas obras. Fazes crescer erva para os animais, e a verdura para uso do homem, de sorte que da terra tire o alimento, o vinho que alegra o seu coração, o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que lhe fortalece o coração. Saciam-se as árvores do Senhor, os cedros do Líbano que ele plantou, nos quais as aves se aninham, e a cegonha, cuja casa está nos ciprestes. Os altos montes são um refúgio para as cabras montesas, e as rochas para os quero grilos. Designou a lua para marcar as estações; o sol sabe a hora do seu ocaso. Fazes as trevas, e vem a noite, na qual saem todos os animais da selva. Os leões novos os animais bramam pela presa, e de Deus buscam o seu sustento. Quando nasce o sol, logo se recolhem e se deitam nos seus covis. Então sai o homem para a sua lida e para o seu trabalho, até a tarde. Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas. Eis também o vasto e espaçoso mar, no qual se movem seres inumeráveis, animais pequenos e grandes. Ali andam os navios, e o leviatã que formaste para nele folgar. Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo. Tu lho dás, e eles o recolhem; abres a tua mão, e eles se fartam de bens. Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó. Envias o teu fôlego, e são criados; e assim renovas a face da terra. Permaneça para sempre a glória do Senhor; regozije-se o Senhor nas suas obras; ele olha para a terra, e ela treme; ele toca nas montanhas, e elas fumegam. Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu existir. Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me regozijarei no Senhor. Sejam extirpados da terra os pecadores, e não subsistam mais os ímpios.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Louvai ao Senhor."
(Salmo 104)
Grande Hino a Aton*
"Tu surges belo na terra de luz do paraíso Tu és belo, grande resplandecente,
Sublime sobre todas as terras o país; Os teus raios abraçam e iluminam as terras Até o limite de tudo o que criastes. Sendo Rá alcanças os seus limites e os subjugas para teu filho amado. Tu estás longe, mas os teus raios encontram-se sobre a terra, Apesar de vê-lo seu caminho é oculto Tu estás diante de nós, mas as pessoas não vêem o teu caminho. Quando tu te pões na terra ocidental, A terra fica na escuridão como morta. Os que dormem encontram-se em suas casas, As cabeças cobertas, um olho não vê o outro. Se roubassem seus bens que se acham debaixo de suas cabeças, Eles nem perceberiam. Todos os leões saem de suas cavernas,
Todas as serpentes mordem. A escuridão é uma tumba Para eles claridade. Jaz a terra em silêncio. Seu criador repousa na sua terra de luz no horizonte. Na aurora tu reapareces no horizonte. E és irradiante como o disco solar do dia (Aton) Tu eliminas as trevas e lanças teus raios. As duas terras estão em festa. As pessoas acordam e ficam de pé.
Tu as fizeste levantar. Eles banham-se e vestem-se, Os seus braços estão em adoração à sua feição. A terra inteira se põe a trabalhar. Todo animal goza de sua pastagem,
Árvores e relvas brotam e verdejam. Os pássaros voam de seus ninhos, Com as asas levantadas para teu ka Todos os rebanhos ágeis estão sobre os seus pés, Tudo que se levanta e voa, parte, Tu nasces para eles. Os barcos seguem para o norte, seguem para o sul também,
Todos os caminhos se abrem quando tu surges. Os peixes no rio arrojam-se diante a ti movem-se deslizando em tua direção, Os teus raios chegam ao meio do mar. Tu fazes crescer a semente na mulher,
Tu fazes o semem nos homens, Tu fazes viver o filho no ventre da mãe, Tu o acalentas para que não chore, Tu o alimentas no ventre! Dás a respiração, para alimentar tudo o que ele faz. Quando sai do ventre para respirar, no dia de seu nascimento, abre-lhe a boca e Provês as suas necessidades. O pássaro fala dentro da casca do ovo; Tu ali dentro lhe dás ar para viver. Determinas um tempo para ele sair do ovo; Quando ele sai do ovo, para piar, ao seu nascimento, já caminha em suas pernas. Quão numerosas são as tuas obras!
Apesar de ocultas à vista, Ó Deus Único ao lado do qual não há outro! Tu criaste a terra ao teu desejo, Quando tu estavas só, Com os homens, as manadas, e as revoadas dos pássaros. Tudo o que há sobre a terra e anda sobre seus pés, Tudo aquilo que está no céu e que voa sobre suas asas. Os países estrangeiros, da Síria, e Núbia, a Terra do Egito. Tu colocaste todo homem em seu lugar, Proveste as suas necessidades, cada um com o seu alimento, É contada sua duração de vida . Suas línguas diferem no falar, suas características também; Suas peles são distintas, pois tu diferenciaste os povos. Fizeste um Nilo no subterrâneo,
Tu o trazes quando queres, para dar sustento às pessoas, Pois tu as criaste para ti. Senhor de tudo, que trabalhas por eles,
Senhor de todas as terras, que brilha para eles, Ó Aton do dia, grande em glória! De todas as terras distantes, tu os mantêm vivos,
Fizeste um Nilo celestial, que desce para eles, E que faz ondas nas montanhas como um mar, E banha os seus campos com o que eles necessitam. Quão perfeitos os teus planos, Ó senhor da eternidade! Um Nilo do céu para os estrangeiros,
E para todas as criaturas no deserto que caminham sobre pernas, Mas para o Egito, o Nilo que vem de Duat. Os teus raios trazem a nutrição para todas as plantas;
Quando tu brilhas, elas vivem e prosperam para ti. Tu fazes as estações para que se desenvolva tudo o que tu crias: O inverno para refrescá-las, o ardor para que te degustem. Tu fizeste o céu distante, para brilhar nele.
Para ver tudo que fazes, enquanto tu és Um, Nascido em sua forma de Aton vivo, Brilhante e radiante, próximo e distante. Tu fazes milhões de formas de ti, sozinho,
Povoados, vila, campos, estrada e rio. Todos os olhos o contemplam acima deles, Quando tu estás acima da terra como, Aton. Quando tu vais e não há olho cuja visão tu criaste,
não para olhar para ti como só mais uma de suas criaturas. Tu estás ainda em meu coração.
Não há nenhum outro que te conheça Exceto teu filho, Nefer-kheperu-Rá Ua-en-Rá Akhenaten, A quem ensinastes. A terra passa a existir por tua mão como tu a criaste,
Quando tu alvoreces, eles vivem, quando tu te pões eles morrem; Tu mesmo és vida - se vive de ti. Os olhos vêem beleza, enquanto tu não te pões.
Deixa-se todo o trabalho quando tu descansas no Ocidente; O teu alvorecer é um fortalecimento para o Rei, E todos movem-se desde que fundastes a terra. Tu os levantas para o teu filho que saiu do teu corpo
O rei que vive pela verdade (Ma’at), o Senhor das duas terras, O Senhor dos Dois Países Nefer-kheperu-Rá O único de Rá, o filho de Rá que vive pela verdade (Ma’at), O Senhor das duas coroas Akhenaton, Sublime em sua vida E da Grande Rainha a quem ele ama, A Senhora das Duas Terras Nefer-neferu-Aton Nefertite, Que vive e rejuvenesce por toda a eternidade" (Grande Hino a Aton, texto religioso do Antigo Egito, cuja autoria é supostamente atribuída ao faraó Amen-hotep IV, mais conhecido pelo nome de Akhenaton, que significa "o espírito atuante de Aton". Amen-hotep IV governou o Egito entre 1351 e 1334 a.C., pertencendo a XVIII Dinastia e, destoando de todos os outros faraós, procurou em seu governo implantar o monoteísmo, com o culto ao Deus Sol - Aton). May 04 Dois momentos de amor, de Nenúfar* Ao Vento * "De ti, vento, já ouvi os teus murmúrios,
Teu cantar que me embala e me salva, A frescura da tua brisa, E a tua fúria que me aterra a alma; Já te pedi notícias do outro lado, Onde não sei se passas em teu caminho, Procuro os beijos de amor que roubas na praia, E tua força, para rodar em meu moinho. Já foste meu aliado, Meu inimigo e já te peguei de forcado, Temos histórias e muitos segredos que espalhas, Por entre o zumbido dos teus sons, E ameias das muralhas, Trazes contigo o macio e a aspereza, Os sonhos belos de muitos, encostados à pobreza, Trazes a esperança das novas do meu amor, E o infortúnio quando passas em silêncio e me deixas mau sabor." (Extraído do blog http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/973629 , de Manuel Robalinho (Nenúfar), 3.5.2008)
* Suspeito *
"Suspeito das decisões e do juiz,
Do resultado do jogo que nada me diz,
Suspeito do teu olhar a me fitar,
Do teu sorriso que denuncia o teu amar, | ||||||||